Frank Mancuso ao que consta foi durante anos consultor para roteiros sobre filmes que versassem sobre o aparelho policial na França. Aqui ele se lança atrás das câmeras e se arvora em um interessante roteiro que abre um leque precioso sobre várias questões. Se nesse aspecto o acerto é visível, claro também fica que ele não possui um domínio completo do que é fazer um filme. A imagem nos remete a uma produção televisiva, ainda que as locações não sejam de todo desinteressantes. Faltou, no entanto um melhor acuro no tocante a fotografia e ao mise en scène. Tal pode ser visto como uma escolha da direção, mas o aproxima demais dos próprios programas jornalísticos que se quis criticar. No mundo de hoje vemos a mídias se comprazerem com a dor dos parentes frente o assassinato banal de um ente querido, a exploração da sede de justiça que deságua no desejo de vingança. Permanece presente para contrapor esse lado sombrio, uma sutil visão do sistema judiciário e os seus limites; já que a necessidade de se encontrar quem pague pelos crimes, a impossibilidade de possuirmos um infalível sistema judiciário e uma possível (como já disse) exploração dessa infalibilidade por falsos inocentes (no caso aqui o policial que busca justiça pelas próprias mãos).
O não rebuscamento da imagem traz um sério problema a meu ver. O roteiro nos mergulha em incertezas que as imagens sempre claras desmentem. O que o roteiro destila sutilmente, a imagem nos entrega claramente. Em se tratando de um suspense isso é ruim, pois não nos obriga a questionamentos, ou ao menos a nos impregnarmos por eles. Tudo acaba sendo por demais linear, ainda que a verdade do que nos é exposto nos cale fundo, isso parece enfraquecer o resultado final.
A mise em scène tem lá seus grandes momentos, mas é desigual. Se no início somos mergulhados em um bairro industrial, ladeado por um rio numa manhã qualquer, sem nada que a destaque das demais. Esse aparente paraíso será profanado, e quando isso ocorrer, sentiremos que uma atmosfera pesada profanou de vez aquele lugar. E um pai desesperado não encontrará mais paz, o mundo que cria protegê-lo tornar-se-á cada vez mais as muralhas que o querem esmagar. Quando o corpo é encontrado na floresta e posteriormente um homem é detido e a ele creditado toda a culpa o alivio para um respiro parece existir. Ainda que as provas sejam fortes, esse pai enfurecido pelo ódio (excelente desempenho de Jean Dujardin), que se transformou em bicho prestes a destroçar qualquer um, nos desconcerta. Ele nos leva a crer que acredita na inocência do detido e tudo faz para libertá-lo. E a partir dai não sabemos para onde a história caminhará...
O diretor se perde quando o quadro transforma vários personagens em simples espectadores, que tais como nós, também ficam estupefatos com os rumos tomados. Todos eles infelizmente não desenvolvidos, rasos, que nada contribuem para engrandecer a obra. Apesar disso o filme é uma experiência válida, pelos temas abordados e pela presença de Dujardin . A se ver. No entanto o que um diretor mais qualificado não teria realizado com tal material?
Escrito por Conde Fouá Anderaos

0 Yorumlar